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Acervo Rede CCAP/Espaço Casa Viva



Por uma iniciativa dos moradores de Manguinhos, desde 2007, contadores(as) de histórias incentivam crianças e jovens a conhecerem obras literárias. A biblioteca da Rede CCAP / Espaço Casa Viva – que organiza essa e outras iniciativas – recebe dezenas de crianças por mês. Agora a secretaria de estado de educação irá inaugurar uma nova sala de leitura na comunidade.


Por Elaine Ramos


Por uma iniciativa popular há seis anos, a literatura faz parte do dia a dia de estudantes de alguns colégios da rede pública de Manguinhos. Desde 2007, contadores(as) de histórias visitam escolas da comunidade, incentivam crianças e jovens a conhecerem obras de autores como Machado de Assis, Clarisse Lispector e Drummomd de Andrade. Após o início do projeto, a biblioteca da Rede CCAP/Espaço Casa Viva – que organiza essa e outras iniciativas – recebe cerca de 100 crianças por mês à procura de novas histórias.

A Rede CCAP/Espaço Casa Viva promove diversas ações educacionais, culturais e de cidadania para crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social no complexo de favelas de Manguinhos. Denise dos Reis, pedagoga e contadora de história, sempre morou na comunidade e faz parte do Espaço. Ela explica que despertar o interesse das crianças de sua comunidade para a leitura é um dos objetivos da iniciativa.

“Quando a gente começa a contar as histórias, fazer toda a interpretação, as crianças ficam encantadas e observam atentas. Nós percebemos que elas estão vivendo aquilo, se imaginando naquela história, elas gostam do novo, por isso vamos às escolas e creches”, diz Denise. A pedagoga conta que as crianças levam seus pais e suas mães, eles(as) se tornam sócios(as) da biblioteca e frequentadores(as) assíduos(as) do acervo. Mas, para ela, o preconceito sobre a favela ainda é uma barreira a ser vencida.

“Quando se fala em favela, as pessoas pensam logo na violência, mas temos pessoas interessadas em aprender mais, ler sobre arte, literatura, teoria musical. Só o saber da escola não é suficiente. Queremos uma escola mais atrativa, onde a criança aprenda a ser mais crítica e possa ser um adulto melhor”, conclui.

Apesar da aprovação dos pais, mães e alunos(as), a maioria das escolas não permite o acesso de iniciativas populares sem uma licença da Coordenadoria Regional de Educação do Município do Rio de Janeiro (CRE/RJ) ou da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro. O problema é que essa exigência requer uma série de burocracias e impede a realização dessas atividades.

Para a pedagoga, o trabalho poderia ser mais bem-sucedido se tivesse maior apoio. “Gostaríamos que os governos reconhecessem o que existe de positivo na favela, no próprio ambiente dos alunos. Não queremos atrapalhar, mas sim atrelar o conhecimento da escola a uma atividade diferente, mais lúdica. Procuramos sempre saber qual o tema trabalhado naquele dia ou semana para que a contação de história potencialize o conhecimento da criança. Mas há direções que não permitem a nossa presença, por conta da CRE ou da Secretaria Estadual de Educação. A escola poderia se abrir mais nesse sentido”, reclama a pedagoga.

Mas para Tereza Porto, secretária de Estado de Educação do Rio de Janeiro, a autorização prévia é necessária para que haja uma seleção entre os projetos mais adequados à grade pedagógica da escola. Para isso, é feito um edital que seleciona os melhores projetos. “Precisamos ter cuidado, pois existem muitos projetos bacanas, mas também tem muita coisa que não é séria, não funciona direito. Então, no caso dos colégios estaduais, todos os interessados em propor atividades devem montar um projeto e submetê-los diretamente à Secretaria de Educação ou à Coordenadoria Regional Metropolitana da sua localidade”, esclarece.

A secretária explica, ainda, que a aprovação depende da característica do projeto, da disponibilidade de horários da escola, do seu custo e do interesse do estado em fornecer aquele tipo de serviço à população. Segundo ela, muitas escolas já desenvolvem atividades extracurriculares. “Não seria correto que o dinheiro público fosse gasto para contratar um serviço que a escola já oferece. Por exemplo, no Alemão, temos um colégio com oficinas de dança, percussão, teatro. Não cabe contratar uma pessoa pra fazer um projeto semelhante a esse ali. Mas existem outras escolas que não têm.”

Nova sala de leitura para Manguinhos

A secretaria Tereza Porto também anunciou que, em agosto, o Colégio Estadual Compositor Luis Carlos da Vila, em Manguinhos, receberá uma sala de leitura do projeto “Leitura para Todos”. A unidade ganhará um acervo de mil livros, disponíveis gratuitamente para consulta e empréstimo. São 500 títulos de autores(as) nacionais e estrangeiros, abrangendo diversas áreas de interesse, entre as quais literatura brasileira, estrangeira e infantil, autoajuda e sociologia. Cada título conta com dois exemplares: um para empréstimo e outro para leitura na própria sala. Segundo a secretária, a escola irá trabalhar juntamente com a comunidade na organização do espaço e na catalogação dos títulos.

Outras 25 escolas estaduais do Rio receberão ainda este ano salas semelhantes. Criado com o propósito de contribuir para a democratização do conhecimento por meio do hábito de ler, o projeto “Leitura para Todos” será implementado em oito escolas na cidade do Rio; em doze unidades de ensino de Duque de Caxias; em uma escola no município de Rio Bonito; outra em Queimados; em um colégio estadual em São João de Meriti; em outro de Nova Iguaçu; em uma unidade de ensino de São Gonçalo; Belford Roxo; Itaboraí e Teresópolis.

Este ano, a primeira unidade a receber o projeto será o colégio de Manguinhos. Além de um projeto de incentivo à leitura, a ideia é que seja um instrumento de relacionamento com a comunidade. “As escolas localizadas em comunidades carentes merecem um olhar especial, muito mais cuidadoso por parte da secretaria. E a gente busca uma aproximação intensa com a comunidade local. Estamos sempre abertos, temos um serviço de atendimento aos nossos pais e alunos, estamos à disposição. Eu pessoalmente recebo muitos e-mails e gosto desse tipo de trabalho”, ressaltou a secretária. A inauguração da sala de leitura no Colégio Luiz Carlos da Vila será no dia 7 de agosto, às 15 horas.

Serviço:
  • Colégio Estadual Luiz Carlos da Vila – Av. Dom Helder Câmara, 1.184, Manguinhos
  • Coordenadoria Regional Metropolitana 3 (Manguinhos e Alemão) – Rua Dias da Cruz 386, Méier.
  • E-mail - Secretária de Educação , Tereza Porto – Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.
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Comentários
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re: gostaria de estudar nessa escola
sandra rangel gostaria muito d 07-01-2010 12:18:03

joyce lucia santana dos santos Escreveu:
gostaria de estudar nessa escola pq elaa é muito boa minhas amigas que
estudam lá estão bem enpenhada...só

gostaria de estudar nessa escola
joyce lucia santana dos santos 07-12-2009 08:46:01

gostaria de estudar nessa escola pq elaa é muito boa minhas amigas que
estudam lá estão bem enpenhada...só
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