No 3º encontro do Fórum da Cidadania o Ibase apresentou pesquisa que ouviu mais de 800 moradores do “asfalto” e de Manguinhos.
Por Elaine Ramos
Foi no campus da Fiocruz, em Manguinhos no dia 01/07, o terceiro encontro do Fórum da Cidadania. No evento, o Ibase expôs dados de pesquisa realizada em maio deste ano, que ouviu mais de 800 moradores(as) do "asfalto" e de favelas, especialmente, do Complexo de Manguinhos. O objetivo do levantamento foi observar a relação entre favela e "asfalto", além da percepção de moradores(as) de toda a cidade sobre os impactos do PAC/Favelas.
Mais uma vez, o Fórum da Cidadania reuniu diferentes setores da sociedade civil, moradores(as) de Manguinhos, líderes comunitários de diferentes favelas cariocas, dirigentes da Caixa, além de representantes de secretarias municipais e estaduais.
A pesquisa revelou que 72% dos(as) moradores(as) do Complexo de Manguinhos acreditam que o PAC cumprirá seus objetivos na comunidade. E 59% dos(as) moradores(as) do “asfalto” acham que é baixa a chance de os objetivos serem alcançados. Ambos concordam, porém, que, “para dar certo”, o PAC “precisa investir em educação”.
Outro dado apresentado foi sobre a interação entre moradores(as) de Manguinhos e do “asfalto”. Em primeiro lugar, aparece o ambiente de trabalho como local dessa integração; em segundo, casas de amigos(as); depois vem bailes, shows e festas. Apenas 14% dos(as) entrevistados(as) de favelas e 20% dos(as) de “asfalto” disseram não ter amizade com pessoas de áreas diferentes de onde moram.
Sobre a percepção do preconceito contra moradores(as) de favelas, foi verificado que pode variar de acordo com a escolaridade. 100% dos(as) entrevistados(as) de Manguinhos que concluíram o ensino superior admitem sofrer muito preconceito apenas por morarem em favela. Já entre os(as) que cursaram até o sexto ano do ensino fundamental, antiga quinta série, só 69% percebem o mesmo problema. O preconceito racial também é mais percebido entre as pessoas que possuem ensino superior completo.
Para moradores(as) do “asfalto” e de Manguinhos, o serviço público não teve boa avaliação. De 0 a 10, a água recebeu as maiores notas: 6,91 no “asfalto” e 6,51 de Manguinhos. Praças e espaços de lazer foram considerados o segundo pior serviço para moradores(as) de Manguinhos e o terceiro pior para entrevistados(as) de outras áreas. A saúde pública recebeu nota 3, a segunda pior avaliação entre moradores(as) do “asfalto” e a quarta entre os(as) que moram em Manguinhos.
A segurança pública se destaca como a pior avaliação entre entrevistados(as) dos dois grupos. Recebeu nota 2,8 de moradores(as) de favela e 2,9 de moradores(as) do “asfalto”. E, em ambos os grupos, a afirmação: “os policiais tratam pior os moradores de favelas do que de outras áreas da cidade” teve o segundo maior nível de concordância.
Quando perguntados(as) se perderam alguma oportunidade de emprego por serem moradores(as) de Manguinhos, 24% responderam que sim. Entre essas pessoas, as com menor renda são as que disseram ter perdido mais oportunidades.
Quanto às oportunidades e melhores condições de vida, foi verificado praticamente o mesmo grau de concordância. Mais de 90% dos(as) moradores(as) de ambos os grupos concordaram que: “Se os moradores de favelas tivessem as mesmas oportunidades que os moradores de asfalto, teriam melhores condições de vida”.
Para Dulce Pandolf, diretora do Ibase, a pesquisa confirma a ideia de que a cidade não está partida, mas sim unida, contudo permeada por desigualdades. “Favela é cidade. Não há uma cidade partida, há uma cidade repleta de desigualdades. E é no sentido de diminuir essas diferenças que precisamos lutar e não pensar como se existisse um mundo a parte.“, conclui a diretora.
No debate, os(as) participantes trataram de questões relativas à pesquisa, mas também retomaram a reivindicação por mais informações sobre o PAC e pela participação de outras secretarias no Fórum da Cidadania. “Precisamos ter mais informações, ainda não temos o cronograma das obras e sentimos falta de outras secretarias que, num espaço como esse, por exemplo, poderiam nos ouvir. Cadê as secretarias de saúde e de educação, por exemplo?”, indaga, Marcelo Radar, do Fórum de Manguinhos. |
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