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Foto:flickr/creative commons 
"Esta região carece de um espaço administrado pela prefeitura, que todos possam usar e não seja mais uma casa de show", diz Bruno José do movimento em favor da Lona Cultural na Suburbana.
Por Elaine Ramos
Bruno José de Oliveira, 32 anos, é morador de Maria da Graça e um dos integrantes do movimento em favor da construção da Lona Cultural na Suburbana. A ideia é que o espaço seja construído na Avenida Dom Hélder Câmara – antiga Suburbana, que atravessa a maioria dos bairros da zona norte, entre eles Cascadura, Manguinhos, Jacarezinho e Benfica.
Pacto pela Cidadania - Como surgiu a ideia da Lona Cultural?
Bruno José - Temos vários grupos que produzem cultura nesta região. Achamos que este trabalho deveria ser contemplado pela própria comunidade. Acreditamos que isto também estimule a participação de mais pessoas, além de ser uma nova opção de lazer.
Pacto - Quando surgiu a manifestação em favor da lona cultural na Suburbana?
Bruno - Começamos a nos organizar, mais ou menos, no início deste ano. Mas em maio fizemos um ato de lançamento do movimento, na quadra da escola de samba de Manguinhos.
Pacto - Quem participa deste movimento?
Bruno - São militantes de movimentos populares, pessoas da capoeira e das escolas de samba. Mas queremos ampliar a participação e quem tiver interesse pode ligar ou visitar a ONG Saúde e Cidadania da Família, no Jacarezinho.
Pacto - Algum pedido foi encaminhado a prefeitura?
Bruno - Sim. A Associação de moradores da Comunidade de Vila Maria, em Higienópolis, levou um documento à Secretaria de Cultura do Município do Rio. E tivemos reuniões com representantes da prefeitura.
Pacto - A prefeitura já deu alguma resposta?
Bruno - A prefeitura informou que por consequência da crise mundial alguns recursos foram afetados e que a verba disponível já estava destinada para a reforma de uma lona na zona norte. Não há dinheiro para novas lonas.
Pacto - Quais as opções culturais da região?
Bruno - Na extensão da Av. Suburbana, temos casas de shows, shoppings, festas de rua, várias escolas de samba e baile funk. Só no trecho entre Manguinhos e Jacarezinho, há duas escolas de samba: Acadêmicos de Manguinhos e Acadêmicos do Jacarezinho. Nessas agremiações, a garotada aprende a tocar na bateria e outras atividades ligadas ao samba. Bandas de ritmos diversos: pagode, hip-hop, funk, gospel. Temos ainda capoeira, karaté, jazz, dança de rua e o balé – que já se apresentou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Mas essas atividades são iniciativas populares.
Pacto - Porque uma lona cultural aqui no entorno de Manguinhos e Jacarezinho?
Bruno - Uma dos motivos é que na região não há lonas, as mais próximas ficam em Vista Alegre e Bangu. Todas as atividades que temos, são pouco difundidas. Com a lona, elas teriam mais visibilidade e tudo poderia acontecer num mesmo espaço. Além disso, esta região carece de um aparelho público, um espaço administrado pela prefeitura. Para que toda a comunidade possa usar e não seja apenas mais uma casa de show.
Pacto - Como se chamaria esta Lona Cultural?
Bruno - Isso ainda não foi decidido, temos apenas uma proposta inicial. Pensamos em homenagear a cantora Alcione. Ela tem uma perfil muito parecido com o das pessoas que vivem aqui. Uma mulher negra e nordestina. Assim é a cara das comunidades desta região, compostas pela maioria de negros e de quem veio do Nordeste à procura de uma oportunidade, de uma vida melhor.
Serviços:
- Telefone : 21- 86871660 (Bruno José)
- A ONG Saúde e Cidadania da Família fica na Rua Amaro José, Jacarezinho.
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